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Este é o mais alto edifício da cidade. No dia do desastre, muitas pessoas juntaram-se neste telhado para ver a bela nuvem brilhante por cima da Central de Energia Atómica.

As portas dos elevadores estão abertas para sempre.

Alguém não recebeu o seu correio. Um par de jornais e a edição de Abril da revista "Caça e Pesca". Talvez estivessem fora. De qualquer modo, nunca voltaram.

Cá em cima no tecto.

"E quem estiver sobre o telhado, não desça a tirar alguma coisa da sua casa; E quem estiver no campo, não volte atrás a buscar os seus vestidos. Mas, ai das grávidas e das que amamentarem naqueles dias!"

(Mateus 24:17-19)

Será deste telhado que Mateus falava… Daqui, a nuvem brilhante acima do reactor deve ter sido uma visão impressionante.

No dia seguinte ao do acidente, este lugar dava boa vista para a fenda na nave de contenção nuclear rebentada pela explosão. Muitos curiosos vieram aqui espreitar e foram banhados por uma mortífera torrente de raios X emanados directamente do brilhante núcleo.

Jardim de Infância.

Fotos do jardim de infância da cidade, não precisam dos meus comentários, falam por si mesmas e contam a história da Cidade Fantasma duma maneira que as palavras não conseguem. Há centenas de pequenas máscaras de gás, o diário de uma educadora e uma última nota dizendo que o passeio deles no Sábado foi cancelado devido a uma contingência imprevista.

A Bielorússia é um país separado. NOTEM POR FAVOR, o país vizinho sofreu mais que o país em que se deu o desastre. A radiação tem uma natureza internacional e não precisa de convites ou vistos para viajar. O maléfico, escuro vento daquele dia levou 70% da radiação pesada de Chernobyl para o país vizinho da Bielorússia.

À medida que viajamos para norte, começamos a perceber a imensidão da área total que foi envenenada, e ainda estará envenenada no ano 2525.

Às vezes, um poste caído atravessa-se na estrada.

É-me díficil descrever o que sinto, quando venho a uma aldeia sem pessoas, mas vou tentar – primeiro é um sentimento, como se tivesse ficado surda. O silêncio é tremendo. Não há pássaros a cantar, não há vento, nada que possa quebrar este silêncio. As aldeias mais pitorescas que as vilas, as casas e cabanas não parecem reais. Todas parecem pintadas e sinto-me como a caminhar dentro dessa pintura.

Um quarto com árvores crescendo através dum chão de pedra.

 

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